terça-feira, 1 de novembro de 2011

DIA DO AMOR

02 de novembro é conhecido como dia de finados, porém acho muito mais coerente quando chamam de DIA DO AMOR, afinal de contas é uma data que nós tiramos para lembrar dos nossos mortos, e quem é que não tem guardado no mais recôndito do seu coração a saudade de alguém que já nos deixou.
Sou de uma família bastante numerosas e dos meus familiares que eu conheci alguns já foram para perto de Deus. Lembro que o primeiro contato que tive com a morte foi aos 06 anos de idade, quando minha Vó Ana morreu. No primeiro momento achei aquele movimento dentro de casa um motivo para festa, mas depois que a colocaram em um caixão, acenderem velas e colocaram flores percebi que minha Vó não podia se mexer, e nem me chamar para levar algo para ela, como era de costume e então comecei a ter medo daquela situação. Lembro-me que não quis ficar na minha casa e foi dormir na casa de um vizinho.
Muito tempo depois perdi meu pai. Ele ficou doente por um bom tempo e parece que assim nosso coração foi acostumando com a ideia de que um dia ela partiria. E foi o que aconteceu. Tempo depois, recebemos uma notícia inesperado que um ataque cardíaco fulminante matara meu irmão mais velho, com 49 anos de idade. A surpresa da notícia foi algo que doeu muito.
Mas, tenho a certeza que Deus nos dá o frio conforme o cobertor e apesar de todo o sofrimento, o tempo vai apaziguando as dores, acalmando a saudade, e deixando uma doce lembrança. Em alguns momentos sinto que faltou algo, talvez um abraço, um carinho ou até mesmo dizer um eu te amo. Pena que muitas vezes, esquecemos que o tempo de Deus é o agora, o presente. E é por isso que temos que ouvir este sábio conselho de uma grande homem, Dalai lama.
“Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem
e o outro se chama amanhã, portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar,
fazer e principalmente viver.”


O NASCER PARA O ALÉM...
Há quem morra todos os dias.
Morre no orgulho, na ignorância, na fraqueza.
Morre um dia, mas nasce outro.
Morre a semente, mas nasce a flor.
Morre o homem para o mundo, mas nasce para Deus.
Assim, em toda morte, deve haver uma nova vida.
Esta é a esperança do ser humano que crê em Deus.
Triste é ver gente morrendo por antecipação...
De desgosto, de tristeza, de solidão.
Pessoas fumando, bebendo, acabando com a vida.
Essa gente empurrando a vida.
Gritando, perdendo-se.
Gente que vai morrendo um pouco, a cada dia que passa.
E a lembrança de nossos mortos, despertando, em nós, o desejo de abraçá-los outra vez.
Essa vontade de rasgar o infinito para descobri-los.
De retroceder no tempo e segurar a vida.
Ausência: - porque não há formas para se tocar.
Presença: - porque se pode sentir.
Essa lágrima cristalizada, distante e intocável.
Essa saudade machucando o coração.
Esse infinito rolando sobre a nossa pequenez.
Esse céu azul e misterioso.

Ah! Aqueles que já partiram!
Aqueles que viveram entre nós.
Que encheram de sorrisos e de paz a nossa vida.
Foram para o além deixando este vazio inconsolável.
Que a gente, às vezes, disfarça para esquecer.
Deles guardamos até os mais simples gestos.
Sentimos, quando mergulhados em oração, o ruído de seus passos e o som de suas vozes.
A lembrança dos dias alegres.
Daquela mão nos amparando.
Daquela lágrima que vimos correr.
Da vontade de ficar quando era hora de partir.
Essa vontade de rever aquele rosto.
Esse arrependimento de não ter dado maiores alegrias.
Essa prece que diz tudo.
Esse soluço que morre na garganta...
E...
Há tanta gente morrendo a cada dia, sem partir.
Esta saudade do tamanho do infinito caindo sobre nós.
Esta lembrança dos que já foram para a eternidade.
Meu Deus!
Que ausência tão cheia de presença!
Que morte tão cheia de esperança e de vida!
Texto: Padre Juca
Adaptação: Sandra Zilio

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário